DIA DAS MÃES

Espaço para troca de mensagens entre pilotos, trilheiros e visitantes. Enduro de Regularidade, Cross Country, Enduro FIM em 2 rodas é aqui mesmo.

Moderador: TCC

Avatar do usuário
BORBOLETA
... + de 500 mensagens
... + de 500 mensagens
Mensagens: 646
Registrado em: 09 Ago 2004, Seg, 16:15
Regularidade: Não
FIM: Não
XC: Não
MX: Não
Trilhas: Não

DIA DAS MÃES

Mensagem por BORBOLETA » 09 Mai 2019, Qui, 15:09

faz tempo que criei este texto, e desde então sempre realizo esta trilha no dia das mães, para limpar esta bagunça que deixamos...apareça......

ENCONTRANDO A MÃE...
Domingo, 10 de maio de 2010... Dia das Mães... poderia ter ido almoçar com a mãe de minha namorada, mas preferi fazer uma trilha já que no sábado havia chovido... Ofereci esta trilha para duas mães muito especiais para mim: Nossa Senhora – a mãe suprema e minha mãe já falecida... ambas no céu! Ainda que aparentemente sozinho, seria esta uma homenagem a Elas que, com certeza, sentia que estariam comigo.

Decidira que limparia as marcações de duas trilhas em que tinha participado. Fitas plásticas aqui e acolá indicavam que os caminhos e trilhas tinham sido espaço de emoção para tantos que como eu são apaixonados por este esporte.

Comecei tirando todas as marcações que encontrava, umas mais fáceis, para quem estava sozinho, outras nem tanto... mas acabei me surpreendendo com o que vi e senti... entre várias situações vividas e sentidas, não posso deixar de mencionar estas:

um pé de feijão, cresceu enrolando-se no bambu onde estava amarrada uma fita plástica deixada por nós trilheiros. O pé de feijão se contorceu enrolando-se no plástico e no bambu, reconquistando um espaço que por natureza era seu... tive de cuidar muito para retirar a fita sem danificar esta planta que nos fornece um dos alimentos mais importantes de nossa mesa...

em uma árvore, na forquilha de seus galhos, ao tentar retirar a fita plástica, notei o quanto aquela árvore havia crescido, os seus galhos se expandido e o plástico absorvido na forquilha... mais uma vez tive que ter cuidado, utilizando o facão para soltar a fita sem forçar ou cortar os galhos que naturalmente haviam crescido...

em outras árvores, nos seus troncos, mais ou menos grossos, ao retirar as fitas que estavam amarradas, notei a diferença de coloração e espessura dos mesmos... ficara nítido o sinal do plástico neles... luz do sol, água da chuva, seiva natural não tiveram trânsito livre... o estrangulamento estava exposto...

Ao andar por tantos trechos, ouvindo apenas o vento nas árvores ou o barulho das correntezas dos rios e riachos, fui me dando conta de que havia encontrado mais uma mãe... sim, outra mãe estava ali... e eu estava impregnado de sua presença... era a mãe NATUREZA...

Eu fazia parte dela, tanto quanto aquele pé de feijão, as forquilhas e troncos de árvores, o vento, os rios e riachos... fui perceber intensamente isso quase 20 anos depois de tantas trilhas...

As fitas plásticas tão importantes para nós trilheiros na indicação do caminho a percorrer, ao serem retiradas, me proporcionaram uma visão que não tinha experimentado antes: a de colaborar com a continuidade da vida da natureza, da sua beleza natural que pode ser retomada...

A NATUREZA, mãe da vida, nos pequenos detalhes do tempo, castigados por nossas fitas plásticas, me mostrou sua vida, sua presença, sua força, sua importância...

Senti-me feliz por estar ajudando esta MÃE, que na maioria das vezes não a percebemos, não a entendemos e a maltratamos, deixando nela nossas marcas, que a princípio nos parecem sem conseqüências maiores... justamente esta MÃE que nos proporciona tantas alegrias com suas belezas nas trilhas que passamos,nos caminhos que abrimos e criamos...

Terminei o dia muito feliz por estar em comunhão com esta MÃE, por ter percebido que não só duas mães estavam comigo, como eu imaginara... Esta MÃE especial chamada NATUREZA, me fez sentir-me co-irmão da criação e da continuidade vida.


Foi uma experiência impar e profunda...

Relato do Borboleta
escrito por sua namorada Rosilei Ferrarini

Responder